Espumas Flutuantes — Castro Alves
Espumas Flutuantes Esta obra ainda está incompleta. Ajude-nos a completar em Index:Espumas fluctuantes (corr. e augm.).djvu! CASTRO ALVEZ ESPUMAS FLUCTUANTES NOVA EDIÇÃO, CORRECTA E AUGMENTADA COM UM JUIZO CRITICO DE ALBERTO DE OLIVEIRA LIVRARIA GARNIER 109, RUA DO OUVIDOR, 109 Rio de Janeiro 6, RUE DES SAINTS-PÈRES, 6 PARIS Á MEMORIA DE meu pae, de minha mãe e de meu irmão. O. D. C. Notas Tradução de poema escrito originalmente por Eugène Berthoud. Tradução de poema escrito originalmente por Lord Byron. Tradução de poema escrito originalmente por Abigaíl Lozano. Tradução de poema escrito originalmente por Victor Hugo. Tradução de poema escrito originalmente por Lord Byron. Tradução de poema escrito originalmente por Alphonse de Lamartine. Coletânea de poesias dedicadas a Castro Alves. Ver relação completa na seção A Castro Alves Ao publico AO PUBLICO A presente edição das Espumas Fluctuantes sae conforme ao texto da primeira, dada á publicidade ainda em vida do poeta, em 1870. Terá assim o publico esta preciosa collecção restituida ao seu original, sem as alterações que se encontram em algumas das edições que ahi correm. Achamos dever juntar-lhe uma parte supplementar, abrangendo todas as mais poesias do auctor, que até agora têm sido publicadas. Entre estes versos figuram alguns ineditos, dos quaes gentilmente permittiu cópia a amigo nosso uma das dignas irmãs do poeta, a Ex.ma Sr.a D. Amelia R. da Cunha. Sobre tão valioso accrescimo, sae esta nova edição abrilhantada com um retrato do pranteado escriptor, e enriquecida nas ultimas paginas de alguns dos melhores cantos que em homenagem lhe foram consagrados por outros poetas. Acreditamos, reeditando assim esta obra, prestar mais um serviço ao publico e ás letras do paiz. O editor. Castro Alves CASTRO ALVES Se a maior ou menor procura das obras de um auctor desse estalão para justamente medil-o, os maiores poetas brasileiros, consoante este criterio, seriam Castro Alves e Casimiro de Abreu. Das Espumas Fluctuantes e das Primaveras é pena e sensivel lacuna em nossa bibliographia se não saiba ao certo o numero das edições que circulam no paiz, reparo este já feito por José Verissimo, que na carencia de dados estatisticos e a julgar apenas pela venda das obras, dá Castro Alves como o mais popular dos poetas dos ultimos trinta ou quarenta annos. A sensibilidade morbida de Casimiro, a repassar-lhe as estrophes balouçadas num rhythmo de paixão e tristeza, e o enthusiasmo do cantor do Livro e a America e tambem seu lyrismo ardente creio justificam a predilecção, entrando tambem aqui, como elemento de sympathia, a vida de ambos cortada em flôr e ainda quanto ao primeiro o seu infortunio. Em favor de Castro Alves accresce a qualidade de combatente na causa intensamente popular que foi entre nós a da abolição do elemento servil, podendo-se affirmar haverem-se vulgarizado tanto como o Ashasverus ou o Gondoleiro do amor , as Vozes d′Africa e o Navio negreiro . Ser bem acceito ao publico não constitue, porém, regra absoluta para julgar do merecimento de qualquer escriptor. «A popularidade de um artista — pondera avisadamente o illustre critico acima citado — tanto póde ser um signal de sua superioridade, como de sua inferioridade, se bem eu esteja convencido de que, de uma maneira geral, e bem pesado o merecimento dessa popularidade, ella prova pelo menos que o artista soube impressionar o povo, transmittir-lhe a sua emoção e excitar o seu sentimento.» É o caso do poeta bahiano. Seu communicativo enthusiasmo, o calor e apaixonado sentimento de seus versos, realçados quando elle os recitava, por uma palavra magica, que suggeriu a Ruy Barbosa a reminiscencia da pagina homerica ao referir-se o poeta grego a Thalthybios, arauto de Agammenon, «semelhante aos deuses pela voz», perduram, captivando ainda os que o lêm. Não são mais os homens de seu tempo, ou pelo menos não são os moços como elle, de sua epoca, mas é a mesma alma nacional que ahi está e continúa de admiral-o e querer-lhe. É que o poeta em certo periodo da vida collectiva soube representar essa alma, communicar-lhe a propria emoção, dar cópia do sentimento della, no que ha neste mais ardente e mais intimo. Foi o verso o instrumento maravilhoso de que para tal fim se serviu. A sua arte é completa, porque para tanto lhe foi bastante. Não vamos reparar na frouxidão de alguns versos ou no ás vezes desmaiado matiz das rimas e até em algumas que não o são. O apuro destas cousas veio mais tarde. Tão pouco lhe estranhemos a falta de ordem e connexão em varias estrophes, as extravagancias da hyperbole, o abuso da antithese. Não lhe esmiucemos tambem senões de palavras, ou o que ha nellas destoante da pureza classica. Elle tinha vinte annos ou pouco mais. Julgando-o em sua idade e seu tempo, dentro desta dupla circumstancia, não ha contradictar que, á parte a assombrosa precocidade de Alvares de Azevedo, é elle o mais genial dos nossos cantores. Menos daquelles annos, dezesete apenas contava, e já era o poeta da Mocidade morta e Dalila . Aos dezoito escrevia Pedro Ivo . E essas Vozes d′Africa , e os Jesuitas e o Navio negreiro , por não mencionar tantos outros primores, sorprehendem-nos — paginas excepcionaes de alta inspiração em nossa poesia — como producções de um espirito que mal despertava. Ha ahi a irradiação crescente e colorido do madrugar espiritual de um Hugo, Schelley ou G. Leopardi. Raymundo Corrêa em um de seus admiraveis sonetos, caracterizando em traço rapido as musas dos nossos principaes poetas romanticos, ao chegar a vez da de Castro Alves, glosa-lhe um bello alexandrino e mostra-a, em lugar da harpa de ouro, Tendo Na mão brilhante a trompa bronzeada . Assim a imagina o poeta das Pombas ; vemo-l'a tambem assim, e não de outro modo a sentiu, ao approximar-se, a virgem serrana das cadenciadas quintilhas do Hospede : Uma buzina restrugiu no valle, Junto aos barrancos onde geme o rio... De teu cavallo o galopar soava E teu cão, ululando, replicava Aos surdos roncos do trovão bravio. Essa