Esaú e Jacó — Machado de Assis
Esaú e Jacob MACHADO DE ASSIS ( da Academia Brasileira ) Esaú e Jacob H. GARNIER, LIVREIRO-EDITOR 71, RUA DO OUVIDOR, 71 RIO DE JANEIRO 6, RUE DES SAINTS-PÈRES, 6 PARIS 1904 Sumário Advertência Capítulo Primeiro: Coisas futuras! Capítulo II: Melhor de descer que de subir Capítulo III: A esmola da felicidade Capítulo IV: A missa do coupé Capítulo V: Há contradições explicáveis Capítulo VI: Maternidade Capítulo VII: Gestação Capítulo VIII: Nem casal, nem general Capítulo IX: Vista de palácio Capítulo X: O Juramento Capítulo XI: Um caso único! Capítulo XII: Esse Aires Capítulo XIII: A epígrafe Capítulo XIV: A lição do discípulo Capítulo XV: Teste David cum Sibylla Capítulo XVI: Paternalismo Capítulo XVII: Tudo o que restrinjo Capítulo XVIII: De como vieram crescendo Capítulo XIX: Apenas duas. — Quarenta anos. Terceira Causa Capítulo XX: A jóia Capítulo XXI: Um ponto escuro Capítulo XXII: Agora um salto Capítulo XXIII: Quando tiverem barbas Capítulo XXIV: Robespierre e Luís XVI Capítulo XXV: D. Miguel Capítulo XXVI: A luta dos retratos Capítulo XXVII: De uma reflexão intempestiva Capítulo XXVIII: O resto é certo Capítulo XXIX: A pessoa mais moça Capítulo XXX: A gente batista Capítulo XXXI: Flora Capítulo XXXII: O aposentado Capítulo XXXIII: A solidão também cansa Capítulo XXXIV: Inexplicável Capítulo XXXV: Em volta da moça Capítulo XXXVI: A discórdia não é tão feia como se pinta Capítulo XXXVII: Desacordo no acordo Capítulo XXXVIII: Chegada a propósito Capítulo XXXIX: Um gatuno Capítulo XL: Recuerdos Capítulo XLI: Caso do burro Capítulo XLII: Uma hipótese Capítulo XLIII: O discurso Capítulo XLIV: O salmão Capítulo XLV: Musca, canta... Capítulo XLVI: Entre um ato e outro Capítulo XLVII: São Mateus, IV, 1-10 Capítulo XLVIII: Terpsícore Capítulo XLIX: Tabuleta Velha Capítulo L: O tinteiro de Evaristo Capítulo LI: Aqui presente Capítulo LII: Um segredo Capítulo LIII: De confidências Capítulo LIV: Enfim, só! Capítulo LV: "A mulher é a desolação do homem" Capítulo LVI: O golpe Capítulo LVII: Das encomendas Capítulo LVIII: Matar saudades Capítulo LIX: Noite de 14 Capítulo LX: Manhã de 15 Capítulo LXI: Lendo Xenofonte Capítulo LXII: "Pare no D." Capítulo LXIII: Tabuleta nova Capítulo LXIV: Paz! Capítulo LXV: Entre os filhos Capítulo LXVI: O basto e a espadilha Capítulo LXVII: A noite inteira Capítulo LXVIII: De manhã! Capítulo LXIX: Ao piano Capítulo LXX: De uma conclusão errada Capítulo LXXI: A comissão Capítulo LXXII: O regresso Capítulo LXXIII: Um Eldorado Capítulo LXXIV: A alusão do texto Capítulo LXXV: Provérbio errado Capítulo LXXVI: Talvez fosse a mesma! Capítulo LXXVII: Hospedagem Capítulo LXXVIII: Visita ao Marechal Capítulo LXXIX: Fusão, difusão, confusão... Capítulo LXXX: Transfusão, enfim Capítulo LXXXI: Ai, duas almas... Capítulo LXXXII: Em São Clemente Capítulo LXXXIII: A grande noite Capítulo LXXXIV: O velho segredo Capítulo LXXXV: Três constituições Capítulo LXXXVI: Antes que me esqueça Capítulo LXXXVII: Entre Aires e Flora Capítulo LXXXVIII: Não, não, não Capítulo LXXXIX: O dragão Capítulo XC: O ajuste Capítulo XCI: Nem só a verdade se deve às mães Capítulo XCII: Segredo acordado Capítulo XCIII: Não ata nem desata Capítulo XCIV: Gestos opostos Capítulo XCV: O terceiro Capítulo XCVI: Retraimento Capítulo XCVII: Um Cristo particular Capítulo XCVIII: O médico Aires Capítulo XCIX: A título de ares novos Capítulo C: Duas cabeças Capítulo CI: O caso embrulhado Capítulo CII: Visão pede meia sombra Capítulo CIII: O quarto Capítulo CIV: A resposta Capítulo CV: A realidade Capítulo CVI: Ambos quais? Capítulo CVII: Estado de sítio Capítulo CVII: Velhas cerimônias Capítulo CIX: Ao pé da cova Capítulo CX: Que voa Capítulo CXI: Um resumo de esperanças Capítulo CXII: O primeiro mês Capítulo CXIII: Uma Beatriz para dois Capítulo CXIV: Consultório e banca Capítulo CXV: Troca de opiniões Capítulo CXVI: De regresso Capítulo CXVII: Posse das cadeiras Capítulo CXVIII: Coisas passadas, coisas futuras Capítulo CXIX: Que anuncia os seguintes Capítulo CXX: Penúltimo Capítulo CXXI: Último Advertência Quando o Conselheiro Aires faleceu, acharam-se-lhe na secretária sete cadernos manuscritos, rijamente encapados em papelão. Cada um dos primeiros seis tinha o seu número de ordem, por algarismos romanos, I, II, III, IV, V, VI, escritos a tinta encarnada. O sétimo trazia este título: Último. A razão desta designação especial não se compreendeu então nem depois. Sim, era o último dos sete cadernos, com a particularidade de ser o mais grosso, mas não fazia parte do Memorial , diário de lembranças que o conselheiro escrevia desde muitos anos e era a matéria dos seis. Não trazia a mesma ordem de datas, com indicação da hora e do minuto, como usava neles. Era uma narrativa; e, posto figure aqui o próprio Aires, com o seu nome e título de conselho, e, por alusão, algumas aventuras, nem assim deixava de ser a narrativa estranha à matéria dos seis cadernos. Último por quê? A hipótese de que o desejo do finado fosse imprimir este caderno em seguida aos outros, não é natural, salvo se queria obrigar à leitura dos seis, em que tratava de si, antes que lhe conhecessem esta outra história, escrita com um pensamento interior e único, através das páginas diversas. Nesse caso, era a vaidade do homem que falava, mas a vaidade não fazia parte dos seus defeitos. Quando fizesse, valia a pena satisfazê-la? Ele não representou papel eminente neste mundo; percorreu a carreira diplomática, e aposentou-se. Nos lazeres do ofício, escreveu o Memorial , que, aparado das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis. Tal foi a razão de se publicar somente a narrativa. Quanto ao título, foram lembrados vários, em que o assunto se pudesse resumir. Ab ovo, por exemplo, apesar do latim; venceu, porém, a idéia de lhe dar estes dois nomes que o próprio Aires citou uma vez: ESAÚ E JACÓ Dico, che quando l'anima mal nata... Dante Capítulo Primeiro: Coisas futuras! Era a primeira vez que as duas iam ao